Matanza em Salvador - Foto de Divulgação

Sábado não é dia para ficar em casa e depois do encontro de blogueiros baianos, fui para o Rio Vermelho fazer o esquente alcoólico esperando o Matanza!!! Chegando às 20:30.. fiquei no tosco e sempre eternizado pela tosquice.. Nhô Caldos. Depois de umas seis cervejas, Eu e Theca nos dirigimos ao Boomerangue que fica exatamente a uma quadra do local que estávamos.

Chegando lá, muitas menininhas lindas vestidas de preto, marmanjos com caras de guri completamente embriagados e outras cositas mais e pessoas normais (nós somos pessoas normais).

Quando entramos já estava na metade do show de abertura comandado pela banda baiana Mortiça. Infelizmente não vi muita graça na apresentação.. mas gosto é gosto e eu admito que não prestei muita atenção.

Já se passava das 23:30 quando a outra banda baiana - Demoiselle - sobe ao palco. Com o seu poprock para moças, a banda animou alguns poucos que sabiam a letra e que demonstravam interesse pelo show.

Cansado e com o dedo queimado pelo cigarro de um filho da puta presente.. só me restava beber. Eis que surge Jimmy e sua trupe para dar início a mais uma tosca e insultante apresentação do Matanza em Salvador.

Com “Matarei“, “O chamado do Bar“, “Meio psicopata” e “Eu não bebo mais“.. todos os presentes cantavam e pulavam sem tumulto, brigas e gastando toda cerva. Algumas paradas de conversa e a banda emenda “O ultimo bar“, “Clube dos Canalhas“, “Bebe arrota e peida“, “Bom é quando faz mal” e “Eu Não Gosto de Ninguém“. Ainda teve tempo para “Maldito hippie sujo“, “Ela roubou meu caminhão” e “A arte do insulto“.

Infelizmente nunca saberei a ordem exata das músicas.. afinal.. nós estamos todos bebados; bebados de cair / e todos que não estiverem bebados; que dêem o fora daqui…

O texto abaixo é de autoria de Danilo Fraga e foi publicado no BlogdoDez do Jornal Atarde no dia 18/12/2007. É uma opnião objetiva e clara sobre o Festival de turistas verão realizada pela Icontent com objetivo de atrair turistas ser o maior festival de música do pais.

Concordo com os argumentos do autor e também acho que já passou da hora do festival se assumir como uma festa de “camisa colorida”. No blog, ainda é possivel conferir a resposta dada pela assessoria de imprensa do Festival e que não convence ninguém.

No Festival, não me Verão

Danilo Fraga

Não sei por que a gente ainda espera algo novo do Festival de Verão - e nesse sentido este texto tem algo de “chutar cachorro morto” -, mas o fato é que a gente espera mesmo. Por quê? Porque aqui em Salvador não rola quase nada de novo e qualquer “novidade” é comemorada com o afã de um menino carente que ganha presente de Natal.

Saiu a programação desse ano e [adivinhem?] ela é uma droga. Mas não há motivo para surpresa: todo ano é a mesma coisa. O palcão é um Bonfim Light mais barato, em que tocam os mesmos nomes da música baiana [Jammil, Chiclete com Banana, Asa de Águia, entre outros], mas isso é compreensível. No fundo, são essas bandas que enchem aquele lugar.

De resto, o barracão de samba toca o mesmo pagode de qualquer chopada de medicina, e a tenda eletrônica cumpre seu papel. O que me enerva mesmo é a cara de pau de dizer que o Festival de Verão é “o maior do Brasil”. Maior em quê? Só se for em repetição.

E essa cara de pau está estampada no palco “tendências”, que é o único que eu já fui ver. É um espaço que não sabe o que é. É rock, indie, reggae ou pop? O que rola de tendência lá, pelo amor de Deus, a não ser uma ou outra coisa, como o Cansei de Ser Sexy no ano retrasado? Pato Fu, Cascadura, O Círculo e Cachorro Grande, atrações desta edição, são legais, mas por que “o maior festival do Brasil” não se arrisca a trazer nada de diferente? Não dá para engolir o Tihuana como “tendência”.

Será que o imenso público dos Los Hermanos não ia ficar feliz em assistir à Orquestra Imperial? Ou quem sabe Júpiter Maçã, Móveis Coloniais de Acaju, Superguidis, Instituto, que está fazendo o show Tim Maia Racional, ou mesmo Nação Zumbi, que não é novo, mas acabou de lançar um dos melhores discos do ano e de sua carreira?

Ainda existe, é claro, o engodo da “atração internacional”. Quem diabos é Eagle-Eye Cherry? O que faz dele o principal nome do Festival [com outdoor em tudo que é canto] a não ser o título de “atração internacional”? É o maior exemplo de provincianismo que pode existir na face da terra. O sueco Eagle-Eye Cherry nem consta na Wikipedia brasileira. O último disco de estúdio do cara é de 2003 [Sub Rosa] e o último
“sucesso” de 1997 [Save Tonight].

Ele não é ninguém. Ele vai tocar aqui por um único motivo: para que o Festival de Verão possa dizer que tem atrações internacionais, como nas outras edições. Sempre tocaram por lá artistas decadentes, nada esperadas, como Man at Work, Spy vs Spy, Big Mountain, Burning Spear e Gloria Gaynor. As únicas exceções foram Matisyahu e, principalmente, Ben Harper [que veio por um acaso do destino].

Não estou dizendo que eles deveriam trazer The Police, The Strokes ou Madonna. Mas, em poucos segundos, consigo pensar numa lista de boas “atrações internacionais”, além de tudo baratas : não seria legal ver shows de Manu Chao, Jack Johnson, Hot Chip, Jorge Drexler, Cat Power, Damien Marley?

Espero que o Festival de Verão deixe de lado a pretensão de ser
“o maior do Brasil” e assuma a sua identidade de festa “de camisa colorida”. Seria mais digno. E que bote o Bonde do Maluco pra tocar.

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